quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Prazeres da mesa.


Italianos e a mesa
Eles não têm a pretensão de ser chef, muito menos donos de restaurante. Mas não negam a certidão de nascimento e a cozinha está atrelada à seus cotidianos de trabalho
 
Por Leticia Rocha



Não é preciso discorrer que, na Itália, quase tudo acontece ao redor da mesa. E nesse contexto, muita gente que não tem a mínima vontade de ser chef, nem de ter restaurante, carrega a cozinha entremeada em seu cotidiano.

A reportagem de Prazeres da Mesa descobriu dois desses personagens. Italianíssimos, com histórias de vida bem diferentes, mas que elegeram São Paulo para viver. E na capital paulista, na rotina de seus trabalhos, fazem questão de incluir a paixão de sua terra Natal. Isso envolve, claro, a tão rica cultura culinária do País da Bota. Confira.

Delícia de curso Luigi Ghermandi nasceu em Bolonha, na Emília-Romanha, a pátria da lasanha, do ravióli e do capeletti. De tão rica, essa região no centro-norte italiano, é tida como a de culinária mais rica do país. Desde criança, Luigi ajudava a mãe na cozinha e desse tempo, traz muitas lembranças. Foi com a mamma, aliás, que ele aprendeu a fazer o clássico molho de tomates ao sugo e o ragù à bolonhesa, ambos pratos oriundos de sua terra natal “Ela fazia massa recheada em casa e eu a ajudava a fechar, fazer aquele formato de ‘chapeuzinho’”, relembra ele, que na Itália, formou-se em Filosofia.

Histórias da vida, o diploma foi deixado na gaveta quando conheceu uma brasileira. Ela o trouxe para cá na década de 80, ele gostou tanto que decidiu morar aqui. “Eu já era fascinado pelo Brasil. Sou da época do auge de ‘Garota de Ipanema’”, comenta ele.  

Devidamente estabelecido em terras paulistanas, Luigi começou a dar aulas de italiano. E, naturalmente, diz que percebia a maior dificuldade dos alunos era encontrar alguém para praticar. Foi quando veio a sua ideia de unir ensino da língua com sua paixão pela cozinha italiana.

Assim nasceu o Italiano in Cucina, no qual o aluno não só do idioma, como também mergulha na cultura do país. Funciona (deliciosamente) assim: uma vez por semana, a turma se reúne em sua casa. Ou melhor, em sua cozinha. Ele prepara os pratos, os alunos também colocam a mão na massa e a conversa, de maneira bem natural, rola solta. Quando a comida fica pronta, todos sentam à mesa e desfrutam desse menu do dia. Os alunos cuidam de levar o vinho. “Duas regras nesse curso: só falamos em italiano e só cozinhamos receitas típicas da Itália”, alerta o professor. 

Quanto tempo dura a aula? Difícil calcular: em teoria, as aulas deveriam ter duas horas. Mas é fácil imaginar que leva mais tempo. Ao contrário do normal, nessa turma ninguém fica olhando para o relógio, contando as horas para ir embora. “Seguimos o ditado italiano que diz ‘a tavola non si invecchia’, ou seja, na mesa não se envelhece”, comenta Luigi. Ficou com água na boca? Acesse o site e acompanhe como é gostoso estudar assim: italianoincucina.blogspot.com

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